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quinta-feira, 18 de julho de 2013

São Paulo sob uma visão eclética

No último sábado, tive a oportunidade de participar do Giro Cultural - A USP e o Roteiro Modernista, idealizado pela PRECEU (Pró- Reitoria de Cultura e Extensão Universitária) da USP.

Primeiramente eu tenho que elogiar e muito a organização e o tour em si. Além do enorme conforto do ônibus [e de termos ganho um lanchinho maravilhoso], as nossas guias (Josi e Giorgia) eram muito bem preparadas, pessoas que realmente sabiam sobre o que estavam falando. Enfim, percebi que o tour foi algo muito bem idealizado e estruturado.

Bom, depois do momento "guia de viagem", vamos à arte!


Nossas guias propuseram que nós, antes de ver o resultado do modernismo na arquitetura de São Paulo, observássemos o estilo eclético presente em importantes construções da cidade, para enxergarmos contrapontos e com isso entendermos melhor algumas características da arquitetura modernista.

Portanto, nesse post, vou fazer uma espécie de introdução à arquitetura modernista por meio da arquitetura eclética para que ela seja melhor entendida. Além disso vou falar um pouco sobre cada construção que visitamos durante o Giro.


O ecleticismo foi um "estilo" muito utilizado no século XIX. A razão de eu ter colocado a palavra estilo entre aspas é que por algum tempo, os críticos não consideravam o ecleticismo como um estilo, já que ele é resultante da mistura entre os estilos renascentista, barroco e neoclássico. Entretanto, diz-se que o "método eclético baseia-se na convicção de que a beleza ou a perfeição pode ser alcançada mediante a seleção e combinação das melhores qualidades das obras de grandes mestres" (retirado do site do Itaú Cultural). 


O estilo eclético prega o uso de uma escala monumental, da simetria, além de uma grande quantidade de ornamentos.

1ª parada: Museu do Ipiranga e Jardim do Museu

Logo que passamos pelo portão para entrar no complexo que abriga o Museu Paulista (outro nome para o Museu do Ipiranga) e o jardim do museu, nossa guia pediu para que observássemos a dimensão lateral da construção. Se comparada com a grandiosa fachada da construção, a lateral realmente era pouco extensa (pelo que pesquisei na internet são 123m de comprimento por somente 16m de largura).
O museu começou a ser projetado em 1884 (62 anos depois da independência do Brasil) e serviria como um marco da independência. E é exatamente por isso que a lateral da construção não é extensa: ela não serviria como palácio, mas sim como um monumento; ela já foi construída para ter um caráter de fachada.
Algo muito interessante de se perceber na estrutura do Museu Paulista, é que ele é feito de tijolo, o que se constituiu em uma inovação muito importante na época (fim do século XIX), já que era comum o uso de taipa nas construções. A taipa é um método em que se usa madeira ou bambu gradeados para a estrutura e uma mistura de argila e cascalho para preencher os vãos livres.
Se repararmos a parte ornamental da fachada do museu, percebemos claramente a presença do estilo eclético: a fachada é muito decorada, com a presença inclusive de colunas relembrando o estilo greco-romano.
As obras do Museu Paulista foram concluídas em 1890, entretanto ele só foi inaugurado em 1890. Além de toda essa demora, o museu não teve seu projeto inicial terminado, devido a questões econômicas.
Vale ressaltar que o acervo inicial do Museu do Ipiranga era sobre História Natural, o qual mais tarde foi transferido para o Museu de Zoologia (que também fica no Alto do Ipiranga). Hoje o museu abriga um grande acervo de objetos e obras de arte que possuem relevância histórica, e principalmente aquelas relacionadas à independência do Brasil. Como exemplo temos a famosa obra de Pedro Américo, "Independência ou Morte" (aliás tem uma história muito bacana sobre ela, posso contar num outro post).

Já o jardim do museu, que diga-se de passagem é lindíssimo, foi inspirado no jardim do palácio de Versailles. Nele também é possível perceber a simetria e a grandiosidade (embora não comparável com Versailles) do estilo eclético.
O jardim possui um "eixo monumental", e o projeto inicial era que fosse possível ver, a partir da "varanda" que dá para o jardim o Teatro Municipal de São Paulo (isso seria possível, já que o bairro Alto do Ipiranga é realmente alto) - percebe-se que hoje isso é uma ilusão, já que o horizonte de São Paulo está repleto de prédios; triste realidade.
O jardim possui "caminhos certos" para trilhar, o que mostra uma visão do homem dominando a a natureza, mostrando uma influência e "contaminação" europeia no Brasil.
A cada centenário da cidade de São Paulo, o jardim foi sendo ampliado; tanto que o vão principal do jardim nã existia no projeto inicial.
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Por fim, gostaria de dizer que o museu e o jardim são administrados por órgãos diferentes: a USP administra o museu (devo dizer que me senti orgulhosa de ver a bandeira da minha universidade levantada lá) e o jardim é administrado pelo governo de São Paulo.



Tamanho da lateral do Museu
Créditos da foto: Juliana













Vista do jardim a partir da grande "varanda"
Crédito da foto: Anna Saes











Vista do museu a partir do jardim
Crédito da foto: Anna Saes












Eu no jardim com vista para o museu
Crédito da foto: Juliana











Museu Paulista e jardim vistos de cima
Crédito da foto: nossosaopaulo.com.br




2ª "parada": Monumento à Independência e Casa do Grito

 Do jardim do museu paulista é possível avistar (um tanto ao longe) o Monumento à Independência.
Foi inaugurado ainda incompleto em 1922, em comemoração ao centenário da independência do Brasil., e foi concluído quatro anos mais tarde.
O monumento foi muito criticado inicialmente, pois não continha elementos da cultura brasileira, os quais depois foram sendo incluídos gradualmente nele. Foi também adicionado um painel em alto relevo do quadro "Independência ou Morte".
No monumento, também foram colocados os restos mortais de D. Pedro I, Imperatriz Leopoldina e D. Amélia (2ª imperatriz do Brasil).

A Casa do Grito tem esse nome pois é associada ao quadro de Pedro Américo mencionado anteriormente, onde foi retratada uma casa muito semelhante a ela. Entretanto, não há provas de que as duas sejam a mesma casa, já que os registros mais velhos da Casa do Grito são datados de 1844.











Vão livre e no fim da foto, ao longe, o Monumento a Independência. 
Créditos da foto: Anna Saes




















Monumento à independência com destaque para o quadro "Independência ou morte" em alto relevo.
Créditos da foto: egemfoco.com.br



3ª "parada": Museu de Zoologia (da USP)

Bom, confesso que agora ao rever minhas anotações e fazer algumas pesquisas, fiquei um pouco confusa quanto ao estilo arquitetônico presente no Museu de Zoologia, também situado na bairro do Ipiranga e inaugurado em 1941.
Talvez pela data, acreditava que fosse modernista, mas por causa da presença de alguns ornamentos e tudo mais, fiquei na dúvida se era eclético. Conclusão: é uma mistura dos dois!
Este museu foi construído no estilo Art Déco, que em si, é um estilo eclético, juntando construtivismo, cubismo, modernismo, bauhaus, art nouveau e futurismo. "No padrão decorativo do Art Déco predominam as linhas retas ou circulares estilizadas, as formas geométricas e o design abstrato; com isso é possível afirmar que o Art Déco dirige-se ao moderno e às vanguardas do início do século XX" (definição tirada do site do Itaú Cultural).

O Museu de Zoologia tem sua hitória atrelada à do Museu Paulista, já que o acervo que ele contém hoje (história natural), veio do Museu Paulista. Além disso, na década de 60 ambos os museus passaram a pertencer à Universidade de São Paulo.










Museu de Zoologia - USP
Créditos da foto: www.saopaulo.sp.gov.br


4ª "parada": Casarões da Família Jafet

 Seguindo com o tour, passamos com o ônibus na frente dos 3 casarões da Família Jafet também presentes no bairro do Ipiranga. Aqui um pouco da relação entre a família e a cidade de São Paulo.
Os Jafet's (libaneses) chegam no Brasil a convite de D. Pedro II para instalar a indústria têxtil em SP. Portanto, os Jafet's tiveram grande papel no desenvolvimento da cidade.
E porque eles escolheram o bairro do Ipiranga? Por dois motivos. O primeiro é que o bairro era um ponto estratégico: estava perto das indústrias e perto do ponto de Santos. O segundo motivo é que a região já abrigava outros casarões.
Ao passar pelas casas, percebi que uma delas estava à venda, e então um dos participantes perguntou se essas casas (tão importantes historicamente)  poderiam ser vendidas. Pergunta interessante. E a resposta é sim; entretanto eles não podem mudar a estrutura e nem a fachada da casa, já que ela é tombada.











Dois dos casarões da família Jafet
Créditos da foto: www.skyscrapercity.com


5ª "parada": algumas observações rápidas

- Parque D. Pedro II: fundado em 1922

- Casa das Retortas. (retorta = lugar onde se guardava carvão coque, que é utilizado para fazer gás). Foi por muitos anos, a fábrica que gerou energia a gás para abastecer a cidade de SP, ou melhor, seus lampiões. A Casa das Retortas foi construído no estilo fabril inglês. Hoje está sendo "reformado" para se tornar o Museu de História de São Paulo.

- Palácio das Indústrias. Foi projetado por Ramos de Azevedo e inaugurado em 1924. Em 1992, se tornou sede da prefeitura para a prefeita Luiza Erundina. E hoje é onde funciona o Catavento.

- Mercado Municipal. Também foi projetado por Ramos de Azevedo. É pertencente ao estilo Art Decó e possui uma grande quantidade de ornamentos, em sua maioria símbolos que remetem a função do prédio (mercado).
Uma curiosidade é que era para o Mercado Municipal ter sido inaugurado em 1932. Entretanto, devido à Revolução Constitucionalista de 1932 ele serviu como depósito de armamentos e por isso foi inaugurado somente em 1933.

Casa das Retortas
Créditos da foto: www.base7.com.br
Palácio das Industrias
Créditos da foto: www.metodo.com.br
Mercado Municipal de SP
Creditos da foto: www.acroweb.com.br
Detalhe da fachada do Mercado Municipal


























































Esse post, ficou muito mais longo do que eu imaginava e tinha mais uma infinidade de coisas sobre as quais eu queria escrever. Mas vou fazer isso em posts mais definidos.


Esse ainda não foi o fim das construções com estilo eclético em São Paulo, já que no post "São Paulo sob uma visão modernista" vou falar sobre a FAU-USP Maranhão.

Vale a pena conhecer São Paulo e visitar seus museus!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Exposições de Arte Contemporânea em S.P.

Oi gente! Estou fazendo essa postagem para falar sobre a exposição "Em nome dos Artistas", que é sobre arte contemporânea e está acontecendo no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera. É uma exposição que está reunindo nomes muito importantes da arte contemporânea entre eles Cindy Sherman, Damien Hirst, entre outros.
Local: Parque do Ibirapuera- Portão 3
Pavilhão Ciccillo Matarazzo- Pavilhão da Bienal
São Paulo- Brasil

Os horários de visitação são: de terça a domingo das 9 às 19hs; quinta das 9 às 22 hs; sendo que é fechado às segundas.
Os ingressos custam R$20,00 e estudantes, professores e aposentados pagam meia entrada.
A entrada é grátis aos sábados, domingos e feriados.
A exposição vai até 4 de dezembro.

Outra exposição de arte contemporânea está acontecendo nos Sescs Pompéia e Belenzinho e na Pinacoteca do Estado. Essa exposição reúne artistas como o dinamarquês Olafur Eliasson. A exposição vai até meados de janeiro e nos Sescs é de graça.
Por ter ido nas duas exposições recomendo a todos irem, pois estão realmente muito boas. E não é todo dia que SP é a capital da arte contemporânea, né?!

http://www.bienal.org.br/FBSP/pt/Emnomedosartistas/Paginas/default.aspx >> site da exposção Em Nome dos Artistas
http://www.sescsp.org.br/sesc/ >> sitre do portal Sesc SP
http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/#!prettyPhoto/0/ >> site da Pinacoteca do Estado.

APROVEITEM!

domingo, 2 de outubro de 2011

Modernismo no Brasil III- A Primeira Geração Modernista

A Primeira Geração Modernista, também chamada de Geração de 22 foi composta pelos artistas que participaram da Semana de 22, Trasila do Amaral e Lasar Segall. Dura de 1917 até 1930. Ela é marcada pela mistura de elementos do exterior- mistura de vanguardas criando algo novo.
A Geração de 22 tem como marca principal a VÁLORIZAÇÃO DAS RAÍZES NACIONAIS: eles querem mostar o que a cultura brasileira tem, portanto eles não são nacionalistas como os clássicos ou realistas são. Eles abordam temas como índio (sem idealização!), resgatam o Barroco Mineiro (pois ele é único, é o barroco tipicamente brasileiro), MPB (raiz da música brasileira/ não é as músicas de MPB que ouvimos no rádio, mas sim samba, maracatu, umbigada,...) e a religiosidade (apesar de os modernistas serem ateus).
Observação: por não seguir muito essas 'regras', Anita Malfatti não tem tanto destaque.
A primeira geração modernista rompe com a arte acadêmica (o modernismo como um todo é assim, apesar de a segunda geração ser menos ousada). Há uma maior preocupação estética por causa da influência das vanguardas europeias. O conceito de 'antropofagia´ "percebido" por Oswald de Andrade é seguido (haverá um post só sobre isso).
É importante notar que a primeira geração modernista não tem ligação com a política (enquanto a segunda geração tem).
Abaixo estão algumas obras da Geração de 22.

Pietá- Victor Brecheret

Roda de Samba- Di Cavalcanti

Samba- Di Cavalcanti

Cabeça de Cristo- Victor Brecheret

Ascensão- Victor Brecheret

O Nascimento de Mani/ Mani Oca- Vicente do Rego Monteiro


Nas ambas as obras percebe-se a valorização das raízes nacionais: Di Cavalcanti retrato o samba (MPB), Victor Brecheret retrata a religiosidade e inclusiveum pouco do barroco mineiro e por fim Vicente do Rego Monteiro retrata os índios.
OSERVAÇÃO: apesar se pertencer à geração de 22, esse post não mostra as obras de Tarsila do Amaral, pois haverá um post dedicado somente a isso!

Modernismo no Brasil II

Esse post mostará a início, de fato, do Modernismo no Brasil. Espero que vocês gostem!
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A Semana de Srte Moderna aconteceu em S.P., no Teatro Municipal, de 13 a 17 de fevereiro de 1922. Esse ano foi escolhido por representar o centenário da independência do Brasil; a data celebraria a independência da arte. O evento participa das festividades de centenário da independência.
O evento foi patrocinado pelos própios modernistas, que tinham muito dinheiro. A maior parte do dinheiro veio de Paulo Prado.
No primeiro dia, muitos não sabiam do que se tratava a exposição, e por isso foram vê-la. Pode- se dizer que foi uma " exposição escandalosa".
Os participantes da Semana de 22 foram: Heitor Villa- Lobos (música), Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia (literatura), Victor Brecheret (escultura) e Anita Malfatti e Di Cavalcanti (pintura).
Vale lembrar que Tarsila da Amaral não participou da Semana de 22, pois ela estava em Paris (ela nem conhecia os modernistas ainda).
A abertura do evento foi feita por Graça Aranha, que foi um escritor PRÉ- Modernista.
A Rede Globo, produziu em 2004, a minissérie Um Só Coração, com o intuito de homenagear os 450 anos de S.P. A minissérie fala um pouco sobre a Semana da Arte Moderna e seus artistas. O link a seguir mostra trechos dessa série: http://www.youtube.com/watch?v=zc2AHqe9zrw
As fotos abaixo mostram os convites do evento:


Nesse 'desenho' pode-se identificar alguns artistas da Semana de 22

Modernismo no Brasil I

Ola pessoal! Depois de terem me pedido muito para postar algo novo e depois de estar um ano sem postar sobre arte no blog, aqui vai uma postagem sobre modernismo no Brasil.
Espero que voces aproveitem!
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A primeira exposição de arte moderna no Brasil foi realizada pelo lituano Lasar Segall em 1913. Ele vem para o Brasil para visitar os irmãos que moravam aqui e aproveita para "divulgar" seu trabalho. Infelizmente, a exposição foi um fracasso. Porém, é por causa dela que Anita Malfatti se empolga para sair do pais e estudar arte.


Asilo dos Velhos- 1909- obra de Lasar Segall que participou da exposição de 1913 em Campinas

Anita Malfatti foi a primeira brasileira de fato a realizar uma exposição de Arte Moderna aqui no Brasil. Em suas obras há a influencias do Fauvismo/Cubismo, Expressionismo adquiridas em suas viagen à França, EUA e Alemanha. Mas é necessario lembrar que na Arte Moderna brasileira não há uma vanguarda em evidência, mas sim uma fusão dos elementos das vanguardas.
A exposição ocorreu em 1917, e foi fortemente criticada por Monteiro Lobato; e como Malfatti não era uma pessoa muito segura, se achava feia, etc, ela sofreu muito com essas críticas.
A crítica de Monteiro Lobato foi expressa no texto Paranoia ou Mistificação, que foi publicado no jornal 'O Estado de SP'. (outro post falará mais sobre esse texto).
O mais intressante é que, por causa desse texto, muitos artistas se uniram a Anita Malfatti em busca de uma arte brasileira livre das regras do adademicismo. O grupo resolveu se organizar para mostrar a Arte Moderna para o Brasil. "Eles criaram uma briga INTELECTUAL".
Abaixo, estao algumas obras de Anita Malfatti:
A Estudante Russa- 1915/1916

A Boba- 1915/1916

O Japonês- 1915/1916


O Farol- 1915

Homem Amarelo- 1915
A Ventania- 1915/1917